Dados oficiais do MDIC mostram mudança abrupta na origem do diesel importado pelo Brasil em abril. No primeiro trimestre, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã respondiam por 29,1% das compras — cerca de 1,1 milhão de m³. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, esse fluxo caiu a zero no mês seguinte, e a Rússia assumiu virtualmente toda a oferta externa.
No último mês, 91% do volume importado veio da Rússia; o restante foi majoritariamente dos Estados Unidos, cerca de 108 mil m³. O choque de oferta também teve reflexo nos preços: o valor médio por metro cúbico registrou US$ 852,74 em abril, alta de 54% sobre fevereiro e 23% ante março. O salto eleva a conta das importações e pressiona custos da cadeia logística e de transporte.
A concentração logística e geopolítica em origem única amplia vulnerabilidades. Dependência elevada de um único fornecedor expõe o país a riscos de disrupção por sanções, variações cambiais e flutuações de oferta — fatores que podem se traduzir em inflação mais dura sobre combustíveis e fretes, afetando preços ao consumidor e empresas.
Do ponto de vista fiscal e da política econômica, o cenário exige respostas claras: reforço de estoques estratégicos, busca ativa por novos fornecedores e gestão de preços que evite repasses imediatos à bomba sem onerar o Tesouro. A mudança súbita no mapa de abastecimento revela custo e risco para a agenda de responsabilidade fiscal e para a previsibilidade econômica do país.