O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou em entrevista à CNBC que o Federal Reserve não teria motivos para aumentar a taxa de juros, mesmo após o relatório de emprego de maio ter vindo mais forte do que o esperado. Segundo Hassett, os números do payroll — e as revisões positivas para meses anteriores — mostram resiliência da economia americana, mas não necessariamente exigem nova alta da taxa.

Na avaliação do assessor da Casa Branca, o Fed pode se dar ao luxo de monitorar a evolução dos preços antes de tomar qualquer decisão de política monetária. Hassett disse que a autoridade monetária “não deveria elevar os juros” e que, com a evolução adequada dos indicadores, poderá existir espaço para iniciar cortes adiante, sem, porém, oferecer cronograma ou condições específicas.

O conselheiro também comentou o comportamento do mercado de energia em meio às tensões no Oriente Médio. Reconheceu quedas recentes nos estoques de petróleo dos EUA, mas ressaltou que os níveis permanecem elevados em termos históricos e minimizou o risco de uma alta de preços permanente: “os preços do petróleo não ficarão altos para sempre”, declarou, sugerindo que pressões vindas da energia seriam temporárias.

Do ponto de vista político e econômico, a declaração de um assessor presidencial ganha peso porque projeta uma narrativa de maior folga para o ciclo de juros, o que pode aliviar expectativas de mercado e reduzir pressão sobre o Fed — ainda que a autoridade mantenha independência. Ainda assim, o cenário permanece sensível: se a inflação reaquecer de forma persistente, a margem para cortes pode se estreitar e forçar nova reavaliação da política monetária.