As ações do grupo francês Hermès recuaram cerca de 9% após a empresa atribuir parte da desaceleração nas vendas ao impacto da guerra no Oriente Médio. A companhia apontou queda no fluxo de turistas em destinos como Paris e Londres e redução das compras em shopping centers de luxo em Dubai, fatores que frustraram expectativas de recuperação do setor.
No trimestre, as vendas ajustadas pelo câmbio cresceram 5,6%, abaixo do consenso de 7,1% estimado por analistas. A receita na região do Oriente Médio caiu 6%, para 160 milhões de euros, ante 185 milhões no mesmo período do ano passado. A direção financeira relatou forte desempenho em janeiro e fevereiro, seguido por uma paralisação em março, quando vendas em shoppings do Golfo caíram 40% no mês.
Além do choque de demanda ligado ao conflito, a valorização do euro retirou 290 milhões de euros da receita reportada, contribuindo para uma queda de 1% nas vendas anunciadas — €4,07 bilhões contra €4,13 bilhões do ano anterior. A França registrou recuo de 2,8% por conta do menor turismo; a Ásia cresceu modestos 3,5% em termos ajustados, afetada por interrupções nas viagens, enquanto os Estados Unidos avançaram 17,2%.
Para investidores e para o setor de luxo, o episódio funciona como um sinal de alerta: choques geopolíticos se somam a riscos cambiais e ao recuo do turismo, comprimindo margens e testando modelos que dependem de exclusividade e circulação internacional de clientes. A Hermès, até então resistente à desaceleração setorial, mostrou que nem as players mais conservadoras ficam imunes quando vários vetores negativos atuam simultaneamente.