Um levantamento conjunto da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados e da Certta aponta que organizações criminosas vêm substituindo o roubo clássico de senhas por uma estratégia mais sofisticada: a clonagem de identidades com apoio de inteligência artificial generativa. Com arquivos públicos — fotos, vídeos e gravações — golpistas conseguem construir perfis hiper-realistas que facilitam a engenharia social e a falsa autoridade perante vítimas e instituições.

O estudo Mapa de Confiança Digital analisou menções entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026 e revela que o debate sobre manipulação de dados teve 2,8 mil menções, equivalente a 7,3% das 39,7 mil conversas sobre segurança no período. Especificamente sobre manipulação de identidades, o tema somou 9,1 mil menções (23% do recorte). A pesquisa utilizou social listening em plataformas como Facebook, Instagram e X, coletando mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações, além de buscas no Google e Bing e análise qualitativa de fóruns como Reddit.

Os dados evidenciam um custo real e crescente para o mercado: aumento nas despesas com prevenção e detecção, demandas legais relacionadas à LGPD e maior exposição ao risco operacional. A pesquisa também registra 3,3 mil menções sobre dados pessoais e LGPD (8,3% do total de conversas sobre segurança), e cita vulnerabilidades como o SIM Swap — o sequestro de linha telefônica — que facilita fraudes financeiras, inclusive via Pix. Para bancos e fintechs, a tendência eleva a pressão por investimentos em autenticação biométrica, verificação de identidade e monitoramento contínuo.

Do ponto de vista econômico e institucional, a proliferação de clonagens digitais acende alerta sobre confiança no sistema de pagamentos e na proteção ao consumidor. Embora a tecnologia traga benefícios, sua exploração por criminosos exige resposta coordenada: empresas terão de ajustar controles e custos, e reguladores precisam avaliar lacunas na proteção de dados e na resposta a fraudes. O recado da pesquisa é claro: a escalada da manipulação de identidades não é apenas um problema de segurança técnica, mas um desafio que impõe custo e risco ao mercado e ao cidadão.