A inteligência artificial deixou de ser hipótese e entrou no dia a dia das empresas. Em entrevista ao CNN Cast, durante o evento Universo TOTVS, o professor George Westerman, do MIT Sloan, reforçou que o nó a ser desatado não é técnico: a tecnologia já existe e amplia a capacidade de automatizar tarefas. O verdadeiro desafio é repensar como as organizações negociam, vendem e entregam produtos e serviços.

Westerman observou que, historicamente, tecnologias substituem tarefas repetitivas; a IA acelera esse processo e alcança atividades antes consideradas exclusivamente humanas, como redigir textos e manter conversas. Diante disso, executivos precisam questionar processos, propostas de valor e canais de comercialização — não basta incorporar ferramentas, é preciso redesenhar o negócio para extrair vantagem competitiva.

Do ponto de vista econômico, a mudança tem efeitos concretos: potencial de ganho de produtividade e redução de custos, mas também risco de deslocamento de funções rotineiras e pressão sobre salários. Empresas que transformarem a automação em novos modelos de receita tendem a sair na frente; as que usarem IA apenas para cortar custos podem ver resultados limitados e enfrentar reação social e política. Há, portanto, um componente de liderança e governança que não se resolve com tecnologia isolada.

Para o Brasil, a mensagem exige resposta coordenada: além de investimento privado em inovação, será necessário foco em requalificação de trabalhadores, adaptações regulatórias e incentivos que favoreçam modelos sustentáveis. A adoção eficiente da IA depende de decisões estratégicas internas nas empresas — e de políticas públicas que minimizem o custo social da transição, preservando competitividade sem transferir o ônus integral à sociedade.