Em dez estados, 41 propostas sobre data centers foram a voto na última terça-feira — e os eleitores recusaram 40 delas, entre moratórias e proibições de dez anos. Na pesquisa de boca de urna citada pela imprensa, 56% disseram que a presença de data centers e a disputa em torno da inteligência artificial pesaram no voto para o Congresso.

O resultado expõe um conflito prático: o data center chega primeiro à cidade, puxa energia e água da mesma rede que serve o bairro, e deixa na comunidade custos imediatos, como aumento de tarifa e risco sobre poços e mananciais. O benefício econômico costuma ficar distante — no escritório das empresas que usam os modelos ou nos balanços de quem os vende — e não ajuda a pagar as contas do mês.

Nas semanas que antecederam as votações, as três maiores do setor tentaram criar vínculos locais. A Anthropic destinou 5% a um fundo voltado à sociedade; a OpenAI ofereceu 5% ao governo americano; e Elon Musk prometeu uma ação da SpaceX para cada criança do país. A implementação, porém, depende de etapas: a distribuição inicial da SpaceX vai liberar pouco mais de 2 milhões de ações em dezembro para adolescentes de 11 a 17 anos em áreas de baixa renda; a proposta de ação universal está prevista só para 2027; a cota da OpenAI ao governo precisa passar pelo Congresso; e o fundo da Anthropic aguarda voto dos acionistas.

O mercado já reagiu: o Nasdaq 100 perdeu cerca de US$ 2,3 trilhões em valor de mercado na sequência das notícias sobre restrições locais e riscos regulatórios. A pressão política também sobe: governadores eleitos no Texas e na Geórgia prometeram suspender novas licenças, e propostas no Congresso — como a de transferir grande parte das participações para um fundo público — deixam claro que as empresas tentam antecipar decisões que podem reduzir seu controle sobre ações e dividendos.