O ímpeto que levou ações ligadas à inteligência artificial a picos recentes sofreu uma pausa abrupta. O Nasdaq registrou perdas consecutivas durante a semana e chegou a recuar mais de 6% em relação à máxima de 2 de junho, com uma queda adicional projetada de 1,2% na sexta-feira (26). A onda vendedora veio acompanhada por um colapso no Kospi, da Coreia do Sul, que recuou 5,8% e acionou um disjuntor que interrompeu negociações por 20 minutos — reflexo da concentração do índice em gigantes como SK Hynix e Samsung.
Os sinais de alerta são claros: as valorizações do setor de IA têm sido sustentadas mais por promessas de futuro do que por lucro líquido comprovado. Para chegar até aqui, empresas gastaram e contraíram dívidas de dezenas de bilhões de dólares em data centers, computadores e contratos por chips de alta potência — insumos cuja produção não acompanha a demanda e elevou preços no mercado de semicondutores. Essa dinâmica criou uma divisão em forma de K: fabricantes de chips disparam, enquanto as empresas que alimentam os modelos de IA enfrentam correções.
A volatilidade já cobrou preço dos gigantes. Microsoft e Meta perderam aproximadamente um quinto do valor desde os picos; outros nomes do chamado 'Mag 7' — Amazon, Apple, Google, Nvidia e Tesla — também recuaram pelo menos 10% das máximas recentes. Episódios concretos ilustram o movimento: a Apple anunciou reajuste de preços em MacBooks e iPads por conta de falta de memória, o que derrubou suas ações mais de 6%, enquanto a Micron subiu cerca de 16% após resultados robustos que refletem o boom na procura por semicondutores.
Há ainda riscos macro. A alta dos rendimentos de títulos e a expectativa de novas elevações de juros pelo Federal Reserve ampliam o custo de capital para um setor que depende de investimento pesado e financiamento. Se a instabilidade em tecnologia se transformar em uma venda ampla, outros segmentos poderão arcar com o ônus — embora, por ora, setores não tecnológicos apresentem desempenho positivo. Para investidores e gestores, o imperativo é ajustar preço ao risco: rever avaliações, cobrar disciplina de capital e acompanhar de perto como a pressão sobre lucros e IPOs (como a eventual oferta da OpenAI, cuja estreia pode ser adiada segundo o New York Times) repercute na saúde do mercado.