Levar projetos de inteligência artificial além do ambiente de testes é o desafio que reunirá executivos e especialistas no EVOLVE26, conferência da Cloudera marcada para 10 de setembro, no Hotel Unique, em São Paulo. A pauta central, dizem organizadores, é operacionalizar modelos em escala — tarefa que exige mais do que algoritmos: demanda dados disponíveis, governança rígida e segurança capaz de resistir a risco regulatório e operacional.
O ponto de partida é técnico e organizacional. Informações corporativas costumam estar dispersas entre nuvens públicas, datacenters próprios e sistemas locais; parte do processamento ocorre na borda (edge computing) por exigência de latência ou privacidade. Migrar ou centralizar todos esses dados para um único ambiente não é viável nem desejável para setores regulados — o que complica a adoção industrial de IA e eleva custos de integração e conformidade.
A proposta da Cloudera, com sua plataforma híbrida de dados e IA, é permitir que informações permaneçam em diferentes ambientes e sejam acessadas com controles de segurança, governança e processamento em tempo real. Na prática, isso promete reduzir deslocamentos massivos de dados, mas não elimina a necessidade de investimento em arquitetura, políticas claras de acesso e equipes capazes de gerir riscos — itens que impactam diretamente o custo-benefício dos projetos.
A programação do EVOLVE26 toca esses pontos: governança, privacidade, infraestrutura, além de temas emergentes como IA agêntica — sistemas com maior autonomia para planejar e executar tarefas. Casos apresentados ajudam a transformar a discussão em exemplos de resultado: a Intendência de Montevidéu com análises municipais em tempo real; a Secretaria da Fazenda de Santa Catarina consolidando bilhões de documentos fiscais; o Banco Galicia aplicando processamento em tempo real ao programa de fidelidade; e a Prodemge com a Polícia Militar de Minas em solução de localização de veículos roubados.
Para gestores e investidores, o sinal é claro: sem resolver a fragmentação de dados e sem uma governança robusta, muitos projetos ficarão no estágio de piloto, consumindo recursos sem gerar escala. Por outro lado, quem vencer o nó da integração e da conformidade pode colher ganhos operacionais e redução de custos. O debate do EVOLVE26, com nomes como Sol Rashid na programação, deve apontar caminhos práticos — e cobrar decisões orçamentárias e operacionais à altura do que se promete.