A principal caixa de entrada de informação da internet passou por sua maior mudança em 25 anos: o Google incorporou recursos baseados em inteligência artificial que geram visuais, gráficos interativos e miniaplicativos diretamente na página de resultados. Segundo Robby Stein, vice-presidente de produto da Busca, os usuários agora fazem perguntas mais longas e complexas — consultas que nem sempre têm resposta pronta na web — e a reação das grandes plataformas tem sido reorganizar o espaço de pesquisa para atender esse novo comportamento.
Os números citados por especialistas no setor reforçam a transformação. Relatórios da Semrush apontam alta nas buscas conversacionais e no uso de consultas longas (as com 11 palavras ou mais cresceram de 3,27% para 5,37%) e indicam que o Modo IA do Google e buscas visuais ganharam tração — pesquisas baseadas em foto crescem 60% ano a ano, enquanto interações no Modo IA mais que dobraram a cada trimestre desde o lançamento. Ao mesmo tempo, análises mostram que mais de 20% do tráfego de referência do ChatGPT vai para o Google, e empresas de marketing informam aumento substancial do investimento em conteúdo gerado por IA.
Do ponto de vista econômico, a mudança tem efeitos concretos: remodela a arquitetura de monetização da atenção online, pressiona modelos tradicionais de SEO e força anunciantes a repensar formatos e pontos de contato. Ferramentas que resumem, comparam e roteirizam decisões de compra podem reduzir etapas do funil — bom para eficiência do consumidor, mas capaz de concentrar valor em quem controla as interfaces e os dados. Profissionais de conteúdo e agências de SEO enfrentam custo de adaptação; anunciantes elevam gastos em produção automatizada, segundo levantamento de mercado.
A adoção acelerada da IA em buscas expõe um dilema público e privado. Há ganhos de produtividade e experiências mais diretas, mas também riscos de concentração, perda de receita para criadores independentes e impactos sobre empregos ligados à produção e curadoria de conteúdo. O sinal é claro: o setor precisa adaptar estratégias comerciais e tecnológicas, e autoridades responsáveis devem monitorar efeitos sobre concorrência, privacidade e mercado de trabalho, sem ignorar a necessidade de promover eficiência e reduzir custos ao consumidor.