Um modelo interno da Anthropic levou o cofundador Jack Clark a prever que a inteligência artificial poderia elevar a produção econômica dos Estados Unidos em quase 50% até 2030 — projetando o PIB de pouco mais de US$ 30 trilhões para cerca de US$ 44 trilhões. As declarações foram feitas em Bangkok, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, e surgem enquanto a empresa se prepara para um IPO previsto para novembro, com avaliações divulgadas na casa dos trilhões.

Clark enfatizou que a estimativa depende da contínua melhora das capacidades da tecnologia e da emergência de novas indústrias capazes de sustentar crescimento tão expressivo. Ao mesmo tempo, advertiu para uma 'janela' cada vez menor para que reguladores e governos imponham salvaguardas. A mensagem é dupla: há um potencial macroeconômico real, mas também uma necessidade urgente de regras internacionais mais rígidas para reduzir riscos sistêmicos.

Do ponto de vista social e geopolítico, o quadro é ambivalente. Clark reconheceu perda de empregos em setores com alta exposição à automação — como centrais de atendimento — ao passo que prevê expansão do emprego em pesquisa científica auxiliada por assistentes de IA. Há, porém, o risco de concentração de ganhos e de que países sem capacidade de computação e data centers fiquem excluídos da bonança. Ele também citou preocupações com usos indevidos da ciência — incluindo exemplos em pesquisa biológica citados durante sua fala — reforçando a necessidade de supervisão e transparência.

Para o Brasil e demais economias emergentes, as conclusões práticas são claras: aproveitar as oportunidades exige políticas públicas para formação de mão de obra, investimentos em infraestrutura digital e participação em regras multilaterais. Paralelamente, é preciso acelerar debates sobre ética, segurança e limitação de usos perigosos. A proposta de crescimento estrondoso traz, portanto, tanto promessas de riqueza quanto um conjunto de desafios regulatórios e distributivos que governos não podem postergar.