Em discurso no evento do Banco do Japão em Tóquio, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, fez um alerta pragmático: a empolgação em torno dos ganhos de produtividade prometidos pela inteligência artificial pode antecipar consumo e, com isso, criar pressão inflacionária antes mesmo de o ganho produtivo se concretizar.

Goolsbee explicou que quando agentes econômicos esperam renda futura maior, eles tendem a gastar mais hoje — um efeito que, na prática, funciona como um aumento de riqueza presente. Se esse comportamento se espalhar, bancos centrais poderão ser forçados a elevar as taxas para impedir um superaquecimento da atividade.

O dirigente do Fed ressaltou que o fenômeno não é exclusividade dos Estados Unidos; ganhos esperados com novas tecnologias podem transbordar fronteiras e complicar a condução da política monetária em várias economias. O Fed divulgou os principais pontos do discurso nesta quinta-feira.

As implicações são práticas: taxas mais altas tornam o custo do crédito maior, pressionam investimentos sensíveis a juros e encarecem serviço da dívida pública e privada. Para países emergentes, que já enfrentam vulnerabilidade externa, um movimento sincronizado de aperto monetário global amplia o risco de volatilidade cambial e inflação importada.

Do ponto de vista doméstico e fiscal, o alerta reforça a necessidade de responsabilidade: governos e gestores precisam considerar que expectativas de prosperidade não substituem ajuste e produtividade real. Se as políticas públicas não acompanharem ganhos efetivos, a conta pode vir pela elevação de juros e seus reflexos na economia real.