A inteligência artificial já muda o formato do mercado imobiliário ao combinar automação de atendimento e análise de grandes bases de dados para estimar demanda e orientar decisões de incorporadoras e construtoras. A MRV é o exemplo citado no setor, com ferramentas que atuam desde o primeiro contato até o pós-venda.
No front comercial, assistentes virtuais respondem perguntas frequentes, encaminham solicitações e liberam canais humanos para casos complexos. Em paralelo, modelos analíticos cruzam histórico de vendas, preços, estoque, características dos compradores e indicadores econômicos para identificar tendências e produzir estimativas que suportam planejamento de novos projetos.
A MIA, assistente virtual da MRV, oferece mais de 20 autosserviços 24 horas por dia e, segundo o RAS 2025 MRV&CO, registrou 2,01 milhões de interações e 737,3 mil encaminhamentos em 2025. Conteúdos da própria empresa em 2023 indicaram que cerca de 50% das vendas tiveram origem em atendimento com IA e que 93% dos primeiros contatos foram concluídos sem intervenção humana.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca uso interno de IA na execução das obras: o Zé da Obra reúne procedimentos operacionais e documentos normativos para apoiar equipes e reduzir erros e retrabalho. Ainda assim, a tecnologia não elimina a necessidade de avaliação técnica ou de análise individualizada em decisões sobre terreno, projeto e escolha do comprador.
Do ponto de vista econômico, a automação tende a aumentar eficiência e reduzir custos operacionais, além de acelerar o processamento de demanda e melhorar a previsibilidade de projetos. Esses ganhos vêm acompanhados de desafios: impacto sobre funções de atendimento, necessidade de requalificação de trabalhadores e atenção à qualidade técnica e à segurança jurídica das decisões apoiadas por algoritmos.