A difusão de ferramentas de inteligência artificial está forçando uma reprecificação no setor de software. Especialistas ouvidos no programa Resenha do Dinheiro ressaltam que soluções de IA capazes de executar tarefas antes dependentes de programas especializados reduzem a previsibilidade dos modelos de negócio até então consolidados — e o mercado já reage com revisões de preço nas ações.

Na prática, a volatilidade apareceu em recuos recentes de papéis do segmento: Thiago Godoy destacou que a ServiceNow chegou a cair 5% e que o índice de softwares e serviços do S&P 500 recuou 1,4%. Esses movimentos refletem um receio dos investidores sobre a capacidade de empresas que vendem software em pacotes de manterem receita diante de clientes e concorrentes que podem desenvolver soluções próprias com auxílio de IA.

O diagnóstico dos analistas aponta para uma separação clara entre modelos: companhias que controlam dados e conseguem incorporar IA para fortalecer serviços têm vantagem competitiva sobre fornecedores puramente de software. Marilia Fontes, da Nord Investimentos, enfatiza a necessidade de os investidores identificarem quem tem acesso a volumes relevantes de dados e quem depende de licenças e atualizações tradicionais.

Há também implicações sociais e econômicas: além do risco de compressão de receita, a difusão de IA levanta dúvidas sobre o futuro do trabalho nas áreas de desenvolvimento e integração de sistemas. Para o mercado, o desafio imediato é reavaliar múltiplos, revisar projeções de crescimento e pressionar empresas a adaptar modelos — por produtos baseados em dados, parcerias ou novas fontes de monetização — sob pena de maiores quedas de valor.