O comércio varejista fechou junho com alta de 0,5% frente a maio, segundo dados divulgados pelo IBGE. No mês anterior as vendas já haviam crescido 0,3%, após recuo de 1,5% em abril. Na comparação anual, o setor registrou expansão de 2,9%, superando as projeções de mercado (2,35% na pesquisa Reuters).

Quatro das oito atividades pesquisadas puxaram o resultado positivo: outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo (1,1%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e artigos farmacêuticos e perfumaria (0,2%). Do outro lado, livros e papelaria despencaram 9,9%, tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,6%, combustíveis e lubrificantes caíram 1,7% e equipamentos de informática cederam 1,3%. No varejo ampliado — que inclui veículos, material de construção e atacado — houve retração de 1,0%.

O resultado indica uma demanda ainda sustentada por um mercado de trabalho relativamente firme e por medidas pontuais de estímulo ao consumo, mas convive com sinais de desequilíbrio setorial. A política monetária restritiva, com a Selic em 14%, mantém pressão sobre crédito e poder de compra e alimenta a expectativa de moderação da atividade nos próximos meses.

Do ponto de vista fiscal e político, a leitura para gestores e formuladores de política é dupla: o crescimento desigual torna o ciclo vulnerável a choques — como alta de juros ou piora do emprego — e limita ganhos de arrecadação mais robustos. Para o governo, o desafio é balancear a manutenção do impulso ao consumo com a disciplina fiscal necessária para não ampliar riscos macroeconômicos.