O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (3) com queda de 2,22%, aos 170.330,63 pontos, num dia de forte aversão a risco nos mercados globais. O dólar à vista fechou em R$ 5,0661, alta de 1,12%, e o real foi a moeda de pior desempenho entre pares negociados no exterior.
Dois vetores dominaram o pregão: a escalada de tensão no Oriente Médio — com ataques que atingiram Kuweit e ações militares dos EUA perto do Estreito de Ormuz, elevando o preço do petróleo — e a nova ameaça tarifária dos Estados Unidos ao Brasil. O Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs um aumento tarifário de 12,5% sobre exportações brasileiras relacionado a alegações de trabalho forçado, uma medida que adicionou preocupação sobre a competitividade externa do país.
No plano doméstico, números de produção industrial de abril acima do esperado reforçaram o receio sobre a persistência da inflação, em um momento de maior sensibilidade dos investidores. A combinação entre risco geopolítico, possível entrave às exportações e dados econômicos mais rígidos levou a venda de posições antes do feriado de Corpus Christi, num pregão com liquidez reduzida.
A reação dos mercados expõe custo político e econômico imediato para o governo: deterioração nas relações com os EUA e ameaça a setores exportadores podem aumentar o prêmio de risco do país e pressionar o custo do crédito. Sem medidas claras de contenção dos impactos externos e sinais de diálogo com parceiros comerciais, o ambiente de incerteza tende a manter pressão sobre ativos e sobre a trajetória da recuperação econômica.