O Ibovespa encerrou maio com queda de 7,22%, a maior perda mensal em mais de três anos e sinal claro de reversão após a tentativa de aproximação dos 200 mil pontos em abril. O movimento foi acompanhado pela saída líquida de estrangeiros, que até 27 de maio somava R$ 14,1 bilhões em retiradas da bolsa, excluídos ofertas de ações, segundo dados da B3.
Analistas apontam que a performance reflete uma rotação de capital global: investidores reapostam em tecnologia nos EUA e na Ásia enquanto índices americanos renovam máximas. No Brasil, o apetite é comprimido pela perspectiva de um ciclo de cortes da Selic mais lento e pela incerteza do cenário eleitoral, fatores que corroem a atratividade relativa dos ativos locais, afirma a equipe de renda variável consultada.
O efeito prático é aumento do prêmio de risco e maior volatilidade: gestores destacam que a combinação de juros reais elevados e instabilidade fiscal faz com que o capital estrangeiro migre para mercados com narrativa mais favorável. A alteração na percepção externa — acentuada pela decisão dos EUA sobre organizações criminosas — também eleva o grau de cautela sobre bancos, infraestrutura e empresas com atuação internacional.
Relatórios de mercado, como o do Itaú BBA, já colocam o índice em tendência de baixa no curto prazo, com caminho aberto para realização de lucros se o Ibovespa ficar abaixo de 173.500 pontos. Na prática, a recuperação dependerá de sinais concretos de redução do risco fiscal, de um ritmo mais claro de queda de juros ou de um alívio na incerteza política — condicionantes que moldarão o custo de captação e o fluxo de investimentos nos próximos meses.