O Ibovespa operava sem tendência definida nesta quarta-feira, em sessão marcada por leitura cruzada entre dados locais e notícia externa. Às 13h, o índice avançava 0,04%, a 177.062,22 pontos, enquanto o dólar à vista subia 0,57%, cotado a R$ 5,06. A cautela vencedora refletiu incertezas no cenário internacional e o impacto do dado de inflação.
No plano internacional, a notícia de que a TV estatal iraniana divulgou um esboço de memorando com os EUA pressionou para baixo os preços do petróleo, apesar do desmentido da Casa Branca. Relatórios de rastreamento de navios mostrando passagem por Ormuz — três petroleiros de GNL e um superpetroleiro — também reforçaram hipóteses de normalização do fluxo e maior oferta.
No front doméstico, o IPCA-15 subiu 0,62% em maio (ante 0,89% em abril) e acumulou alta de 4,64% em 12 meses, acima dos 4,5% que representam o teto da meta do Banco Central. O resultado veio acima das estimativas da Reuters e, pela primeira vez no ano, supera o limite superior da meta, o que aumenta a pressão sobre a política monetária.
As consequências são concretas: inflação acima do teto acende alerta para o Banco Central e complica a narrativa do governo sobre controle de preços e responsabilidade fiscal, elevando o custo político de afrouxar o aperto. No pregão, papéis como Copasa e Isa Energia figuraram entre os destaques negativos em função de movimentos corporativos. É um retrato do momento, sujeito a reversões conforme os próximos dados e a evolução da situação geopolítica.