O principal índice da bolsa brasileira terminou abril praticamente no zero a zero, com uma queda marginal de 0,08% no mês, segundo recuo mensal seguido. O desempenho encerra um abril volátil, quando o índice chegou a renovar máximas e ensaiou a marca inédida de 200 mil pontos antes de perder fôlego.
Desde a máxima registrada em meados do mês, o Ibovespa fechou no azul em apenas um pregão de dez sessões e acumulou uma correção de cerca de 7% no período. A sequência revela que a retomada recente foi frágil e sujeita a reversões rápidas, elevando a aversão a risco entre os participantes do mercado.
A correção acompanhou uma redução no ritmo de compras de investidores estrangeiros, que vinham sustentando o movimento de alta. Nos números compilados pela B3 até o dia 28, o saldo líquido de entradas no mês ainda era positivo em R$ 6,9 bilhões, mas caiu em relação aos R$ 14,6 bilhões observados até 15 de abril — sinal de que parte do capital externo reverteu posicionamentos.
Para analistas e gestores, o recuo expõe dois vetores de risco: a sensibilidade do mercado brasileiro a choques externos — sobretudo em meio a incertezas sobre a guerra entre EUA e Irã — e a dependência de fluxo estrangeiro para sustentar altas. Se essa cautela persistir, o espaço para ativos de maior risco fica comprimido, pressionando preço de ações e a formação de expectativas no curto prazo.