O Ibovespa encerrou a segunda‑feira com leve recuo de 0,17%, em 176.975,82 pontos, enquanto o dólar à vista caiu 1,34%, cotado a R$ 4,9987. A sessão foi marcada por movimentos opostos entre grandes nomes: a Vale pressionou por quedas nos contratos futuros do minério de ferro na China, ao passo que a Petrobras se valorizou com a retomada dos preços do petróleo no exterior.
No front externo, a alta do petróleo refletiu incertezas geopolíticas no Oriente Médio e reações a movimentações diplomáticas entre EUA e Irã, o que beneficiou ações do setor de energia. Já a fraqueza dos preços do minério na China atingiu fortemente mineradoras, comprimindo o desempenho do índice num dia de menor apetite ao risco.
A agenda doméstica também pesou. O IBC‑Br, primeira prévia do PIB, registrou recuo de 0,7% em março na série com ajuste sazonal, com indústria e serviços em queda. No trimestre encerrado em março, o indicador avançou 1,3% em 12 meses, mas o resultado mensal reforçou cautela sobre a recuperação mais ampla da atividade.
O relatório Focus mostrou nova elevação nas projeções: IPCA para 2026 em 4,92% e Selic esperada em 13,25% — a décima semana seguida de alta na estimativa de inflação e aumento na taxa esperada. Paralelamente, o mercado segue penalizando a bolsa por fluxo negativo de estrangeiros: maio acumulava saída líquida de quase R$ 3,9 bilhões até o dia 14, padrão que amplia pressão sobre a cotação.
Analistas técnicos do BB Investimentos alertam que a tendência de baixa de curto prazo se intensificou, com teste de suporte em torno dos 175 mil pontos e próximos alvos abaixo dos 170 mil. O cenário atual acende alerta para investidores e complica a narrativa de recuperação no mercado acionário, exigindo reação coordenada de estratégia por parte de gestores e, indiretamente, do próprio governo.