O Ibovespa encerrou a segunda-feira (10) em queda modesta de 0,14%, aos 172.265,57 pontos, após oscilar entre máxima de 172.935,59 e mínima de 171.524,22. A sessão refletiu o viés negativo em Wall Street, apesar de setores específicos, como o de petróleo, terem tido desempenho expressivo diante do salto nos preços internacionais.

No câmbio, o dólar subiu 0,52%, fechando a R$ 5,110, num movimento compatível com maior aversão ao risco e com o repasse da alta do petróleo para expectativas de inflação. Os contratos Brent avançaram 4,99%, a US$ 87,72 o barril, e o WTI teve alta de 5,05%, a US$ 82,13, após troca de exigências entre EUA e Irã que reduziram a perspectiva de reabertura rápida do Estreito de Ormuz.

A escalada do petróleo impulsionou papéis de petroleiras, mas não foi suficiente para sustentar o índice. Em contraste, as ações da Embraer lideraram os ganhos depois de reportarem lucro líquido ajustado de R$ 1,113 bilhão no segundo trimestre, alta de 25,1% na comparação anual; o Ebitda ajustado somou R$ 1,514 bilhão, avanço de 30,3%. Sem o ajuste de R$ 29,4 milhões ligado à Eve, o lucro líquido seria R$ 1,084 bilhão.

No plano macro, o movimento eleva a tensão antes da divulgação do IPCA de julho, que sai nesta terça-feira, e do CPI dos EUA na quarta. A alta do petróleo tende a pressionar índices de preços e reduz o espaço para que o Banco Central brasileiro siga com cortes de juros após a decisão de baixar a Selic para 14% na semana passada, decisão que já havia sinalizado abertura para novo encontro em setembro.

Para investidores, o dia mostra um mercado sensível a choques geopolíticos e a resultados corporativos pontuais. A combinação de petróleo firme, dólar em alta e dados de inflação na iminência coloca um freio na narrativa de acomodação monetária e exige atenção à volatilidade, especialmente para estratégias que dependem de continuidade na redução do custo do dinheiro.