Brasília, DF — O Ibovespa deve registrar desempenho inferior ao de outros mercados emergentes no restante do ano, avalia Mauricio Valadares, gestor da Nau Capital. Em entrevista, ele aponta uma combinação de fatores que reduz o apetite estrangeiro: o nível elevado de juros nominais e reais, a composição setorial do índice — com peso relevante em petróleo e minério de ferro — e a persistente incerteza fiscal.

Valadares explica que a rotação global de investidores em direção a ações de tecnologia, alimentada por revisões de lucro em mercados como Taiwan, Japão e Coreia, faz do Brasil uma opção de menor prioridade. A normalização dos preços do petróleo também eliminou parte da vantagem que beneficiou o país durante o pico das tensões geopolíticas.

Além dos fatores macro, o gestor aponta entraves institucionais. Escândalos como o caso do Banco Master corroem a confiança de grandes players institucionais e reforçam a necessidade de avanços em estabilidade jurídica e segurança regulatória para atrair alocações mais consistentes ao mercado brasileiro.

Para Valadares, o mercado já precifica a continuidade do governo atual e vê baixa probabilidade de reformas fiscais transformadoras nos próximos quatro anos — circunstância que limita catalisadores para o Ibovespa. O diagnóstico acende alerta: sem mudança no ambiente macro e institucional, a atração de capital estrangeiro e o desenvolvimento do mercado de capitais ficam comprometidos, com impacto direto no investimento e no custo de capital.