O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 0,73%, a 173.787,49 pontos, acumulando perda de 1,37% na semana e -7,22% em maio — o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. A bolsa soma sete semanas negativas, sequência inédita na série histórica até 1982, conforme dados compilados pela LSEG.
O movimento é comandado pela saída líquida de investidores estrangeiros: R$ 14,1 bilhões retirados da bolsa em maio até 27/5, excluídas ofertas de ações. No mesmo compasso, o dólar à vista subiu 0,24% no dia, a R$ 5,0453, e acumula avanço de 1,82% no mês, sinalizando maior aversão ao risco e pressão sobre os ativos locais.
Analistas apontam fatores convergentes: rotação global de volta ao setor de tecnologia, perspectiva de um ciclo de cortes da Selic mais lento, e aumento da incerteza política em ano eleitoral. Rodrigo Moliterno, da Veedha, vê o “risco Brasil” como principal condutor do movimento. Bancos citaram reprecificação: o UBS migrou ações brasileiras de ‘atrativas’ para ‘neutras’, e o Itaú BBA assinalou níveis técnicos a vigiar — 173.500 pontos para realização de lucros e 179.500 para retorno a um viés neutro.
Mesmo com o PIB avançando 1,1% no 1º trimestre, o resultado não foi suficiente para reverter o clima. A combinação de saída de capital, dólar em alta e dúvidas sobre política fiscal acende alerta para o governo: menor apetite externo eleva o custo de financiar ativos locais e complica a narrativa de recuperação antes das eleições. No curto prazo, o mercado deve seguir sensível a riscos eleitorais, decisões de política monetária e sinais de estabilidade fiscal.