O Ibovespa encerrou a sessão com queda de 0,61%, aos 189.578,79 pontos, em um pregão marcado por forte volatilidade. As blue chips tiveram movimentos divergentes: Vale e Itaú Unibanco pressionaram o índice, enquanto Petrobras operou como contrapeso positivo. No câmbio, o dólar recuou 0,34%, cotado a R$ 4,9827 na venda à vista.

O choque externo veio pelo lado do petróleo: o Brent de julho superou US$ 102,30 o barril e o WTI de junho negociou perto de US$ 97,18, após estagnação nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Autoridades americanas cancelaram uma viagem ao Paquistão para tratar do tema, e o Irã advertiu que o Estreito de Ormuz não voltará ao estado pré-conflito; mediadores paquistaneses levaram uma nova proposta sobre a reabertura do estreito.

No front financeiro, as Treasuries abriram a curva em alta e o movimento foi repercutido na curva de juros local, reforçando a sensibilidade do mercado brasileiro a choques externos. Analistas e gestores notam postura de baixa convicção: a ausência de deterioração adicional limitou a busca por proteção, mas a elevação do petróleo já pressionou prêmios e rendimentos.

O calendário doméstico e internacional aumenta a incerteza: o mercado aguarda decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, além de decisões do BCE, BoJ e BoE ao longo da semana. Para o BC, o boletim Focus mantém expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, mas um choque de preços do petróleo pode complicar a margem para afrouxamento e elevar o custo fiscal e de financiamento do país. Em suma, o episódio reforça quão vulnerável segue a recuperação local a choques exógenos.