O mercado brasileiro fechou a sexta-feira em clima de aversão ao risco: o Ibovespa recuou 0,97%, aos 176.661,47 pontos, enquanto o dólar subiu 1,82% e chegou a R$ 5,07 por volta das 16h. A combinação entre menor apetite por ativos locais e a temporada de balanços deixou investidores mais cautelosos.

Fora do país, bolsas americanas operaram em baixa e os rendimentos dos Treasuries avançaram diante de temores de inflação associados ao conflito no Oriente Médio. A escalada das tensões, reforçada por declarações do presidente dos EUA sobre o Irã, impulsionou os contratos futuros do petróleo, beneficiando ações de commodities no Ibovespa.

No front doméstico, o episódio envolvendo aliados de Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro — preso e acusado de uma série de crimes — adicionou ruído político. Para analistas de mercado, o episódio reforçou a incerteza eleitoral e ajudou a conter qualquer tentativa de recuperação do índice no dia, reduzindo o apetite por risco.

O resultado é um ambiente com maior volatilidade, em que fatores externos e reputacionais passam a determinar movimentos de curto prazo. Com a agenda de balanços em curso, investidores seguirão sensíveis a sinais macro e políticos; para o governo e para quem busca capital no mercado, a mensagem é de que lapsos reputacionais têm custo palpável sobre o preço dos ativos.