O principal índice da bolsa brasileira encerrou a sessão em tom de ajuste, com o Ibovespa operando abaixo de 174 mil pontos e registrando queda de 0,51% por volta das 16h20. O movimento coloca o mês de maio no caminho para a maior perda mensal desde fevereiro de 2023, impulsionado por vendas de investidores estrangeiros e aversão a risco diante de fatores domésticos e externos.

O dia trouxe o dado do PIB do primeiro trimestre, que avançou 1,1% na comparação com os três meses anteriores, número levemente acima do consenso. Mesmo assim, a reação foi contida: a melhora da atividade não foi suficiente para contrabalançar a saída líquida de recursos externos, que, segundo a B3, somava R$ 14,1 bilhões negativos em maio até o dia 27 (excluindo ofertas).

Analistas apontam que a rotação internacional em direção a tecnologia e a percepção de um ciclo de cortes da Selic mais modesto reduziram a atratividade de ativos locais. Relatórios de bancos também recalibraram recomendações: o UBS rebaixou a classificação das ações brasileiras para neutra e o Itaú BBA destacou que o Ibovespa segue em tendência de baixa de curto prazo, com possibilidade de realização de lucros mais intensa se ficar abaixo de 173.500 pontos.

Além dos números domésticos, o mercado vigia desdobramentos internacionais — da decisão dos EUA sobre classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras até a escalada no Oriente Médio — que adicionam componente político e geopolítico ao chamado 'risco-Brasil'. O efeito combinado de incerteza fiscal, antecipação eleitoral e menor apetite estrangeiro representa um desafio para a recuperação da bolsa nas próximas semanas.