O Ibovespa reverteu a alta inicial e passou a cair nesta segunda, acompanhando o movimento de aversão ao risco global provocado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Às 10h40 o índice recuava 0,17%, a 195.478 pontos. A alta superior a 3% nos preços do petróleo, decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e da apreensão de um cargueiro, segue no centro das atenções.
A valorização do petróleo tende a beneficiar as ações de Petrobras e outras petrolíferas listadas na B3, compensando parcialmente a realização de lucros observada nas últimas sessões, segundo analistas. Ainda assim, o clima externo pesa: futuros dos EUA operavam em queda (Dow -0,61%; S&P -0,5%; Nasdaq -0,52%) e as bolsas europeias registravam perdas generalizadas, com exceção de Lisboa.
No plano doméstico, a agenda de indicadores é fraca e o Boletim Focus destaca piora das expectativas para 2026: a mediana do mercado projeta IPCA em 4,80% e elevou a estimativa para a Selic em 2026 para 13% — alta de 0,5 ponto percentual em relação à pauta anterior. A Selic nominal está em 14,75% hoje; a piora nas projeções de inflação e juros tende a pressionar a curva e o custo de capital, complicando a retomada das ações.
O dólar flutuava perto da estabilidade, a R$ 4,98 (+0,17%), com os investidores atentos aos desdobramentos do conflito. Com a agenda local leve, os preços de commodities ditam o ritmo: para exportadores pode haver alívio, mas para a Bolsa brasileira o efeito é misto — ganhos setoriais não bastam a blindar o índice diante da maior aversão ao risco global.