O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (4), recuando 0,92% e terminando a sessão em 185.600,12 pontos, com volume financeiro de cerca de R$ 23,9 bilhões antes dos ajustes. Blue chips como Vale e Itaú Unibanco estiveram entre as maiores pressões de baixa; Embraer figurou entre os poucos destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.

No plano externo, investidores reagiram ao aumento de tensões entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz. Notícias sobre movimentação de destróieres norte-americanos e relatos de ações iranianas alimentaram um movimento de aversão ao risco, empurrando o Brent acima de US$ 115 o barril e afetando o apetite por ativos considerados mais arriscados.

O dólar à vista fechou em alta de 0,31%, cotado a R$ 4,9679, apesar do câmbio acumular queda de 9,49% no ano frente ao real. No front doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo deve usar até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos no programa Novo Desenrola, destinado a renegociação de dívidas de famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.

Analistas veem a sessão como correção técnica que pode persistir no curto prazo enquanto a geopolítica permanece volátil. A medida do governo, além de ter potencial efeito positivo sobre a liquidez e o consumo, acende alerta sobre risco fiscal contingente: transferir garantias ao Tesouro reduz o custo imediato para o tomador, mas amplia exposição da União. Estratégias de mercado, segundo a XP, já consideram essa correção, embora mantivessem visão construtiva para o Brasil quando os riscos externos diminuírem.