O Ibovespa operou em queda nesta segunda-feira (1º), recuando 1,09% e fechando próximo dos 171 mil pontos por volta das 13h15, em sessão dominada por aversão a risco. As ações da Petrobras figuraram entre os principais suportes, beneficiadas pela alta do petróleo no exterior, enquanto papéis da Vale pressionaram negativamente diante do enfraquecimento dos futuros do minério de ferro na China.

O gatilho do movimento foi novamente geopolítico. Investidores monitoraram atentamente os desdobramentos entre Estados Unidos e Irã, com troca de ataques e a ampliação das operações israelenses no Líbano contra o Hezbollah. Reportagens locais, incluindo a agência Tasnim, noticiaram suspensão de trocas de mensagens entre a delegação iraniana e mediadores americanos, além de menções a planos para bloquear o Estreito de Ormuz — fatores que impulsionaram os preços da commodity.

Analistas do BB Investimentos, entre outros operadores, adotaram postura mais cautelosa diante do cenário. Segundo relatórios do mercado, o agravamento dos conflitos eleva pressões sobre energia e inflação global, aumentando incertezas para a política monetária nas principais economias. Isso levou a uma revisão nas expectativas de cortes de juros, fortalecimento do dólar e maior aversão a risco, impacto que se traduz em menor apetite por ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O resultado prático é uma combinação de maior volatilidade e custo de capital mais elevado para ativos locais: queda da bolsa, dólar subindo — à vista, R$5,03 na venda por volta das 13h15 — e ajuste de posições por investidores estrangeiros. Para o mercado doméstico, o episódio reforça a sensibilidade de preços e fluxos a choques externos e ressalta a necessidade de atenção a dados de inflação e decisões de política monetária nas próximas semanas.