O Ibovespa cedeu terreno e voltou ao patamar dos 190 mil pontos após uma sequência de máximas que vinha sendo sustentada pelo fluxo estrangeiro. A recente piora no cenário geopolítico — e a pressão sobre o preço do petróleo — inverteu o impulso e provocou saída de capital externo nas últimas semanas, ainda que o saldo do mês permaneça positivo em cerca de R$ 11 bilhões até o dia 22.

Dados parciais mostram que, até 15 de abril, havia entrada líquida de R$ 14,6 bilhões. Mas o movimento recente expõe a vulnerabilidade do mercado a choques externos: com o conflito no Oriente Médio em destaque, investidores reavaliaram risco e retornaram posições à renda fixa, onde há volume relevante de recursos esperando oportunidade de migração.

Analistas consultados pelo mercado destacam que a principal mudança foi na curva de juros: expectativas que antes apontavam para uma taxa próxima de 12,5% até o fim do ano foram revisadas para algo em torno de 14%, em função da inflação pressionada pela alta do petróleo — que já superou a casa dos US$ 100 por barril em relatos de mercado. Essa revisão reduz o apetite por ativos mais arriscados e complica a narrativa de recuperação rápida para os 200 mil pontos.

A retomada do movimento comprador depende, segundo especialistas, de um desfecho positivo no front geopolítico, com normalização do preço do petróleo, e de uma volta da expectativa de cortes mais decisivos na Selic. Com cortes nos EUA e melhora no cenário internacional, o Brasil tende a atrair fluxo para ativos de risco, abrindo espaço para novo avanço do índice.

Mesmo com a correção recente, investidores e analistas seguem apontando fundamentos estruturais favoráveis ao país — múltiplos relativamente atraentes e exposição a commodities — o que mantém a possibilidade de recuperação. Ainda assim, o episódio acende alerta para o governo e para o mercado: a combinação de choque externo e revisão de juros pode ampliar custo econômico e político se a volatilidade persistir rumo a 2026.