O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, voltou a destacar a necessidade de usar de forma estratégica as receitas geradas pela exploração petrolífera para preparar municípios e estados para a transição energética. A posição foi explicitada após as recentes descobertas de poços na Bacia do Foz do Amazonas, no Amapá, que colocam novos recursos na mesa e uma janela de decisões públicas.

Ardenghy apontou que a experiência internacional indica a importância de mecanismos de governança robustos: recursos volumosos exigem regras claras de alocação, monitoramento e prestação de contas. Segundo ele, os investimentos devem priorizar tecnologia, segurança e proteção ambiental, mas precisam ser planejados com a transição energética no centro das decisões — e não apenas como solução de curto prazo.

O dirigente também ressaltou o caráter finito do petróleo: em determinadas reservas, a exploração tem horizonte de algumas décadas, na ordem de 25 anos. Isso cria o desafio de evitar a dependência fiscal de curto prazo. Municípios e estados produtores que apostarem apenas na receita fácil poderão enfrentar choque econômico e pressão sobre as finanças públicas quando os campos se esgotarem.

Da prática às regras, Ardenghy reconheceu que a legislação brasileira traz diretrizes para esse tipo de aplicação, mas advertiu que a dificuldade está na execução cotidiana. Economistas e gestores locais, na visão do IBP, precisam de instrumentos como fundos de poupança, planos de transição setorial, capacitação administrativa e mais transparência para transformar receitas em ativos duráveis.

O recado é político e técnico: a descoberta é oportunidade para acelerar investimentos que deixem legados reais às comunidades produtoras, mas sem boa governança o ganho imediato pode se transformar em custo político e econômico. A alternativa é usar os recursos para diversificar economias regionais e reduzir riscos fiscais, exigindo decisão e fiscalização desde agora.