A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira que o pessimismo entre empresários do setor industrial completou 18 meses consecutivos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 0,5 ponto em junho, de 47,2 para 46,7 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos — limite que separa confiança de falta dela — desde janeiro do ano passado. A sequência negativa só fica atrás da observada durante a recessão de 2015/2016.

O recuo de junho foi puxado tanto pelas condições atuais quanto pelas expectativas. O índice de condições atuais caiu 0,6 ponto, de 42,9 para 42,3, sinalizando que os empresários avaliam que a situação das empresas e da economia piorou em relação aos seis meses anteriores. As expectativas para os próximos seis meses também recuaram 0,4 ponto, de 49,3 para 48,9, demonstrando aumento do pessimismo quanto ao desempenho futuro. A sondagem ouviu 1.170 empresas entre 1º e 9 de junho (470 pequenas, 425 médias e 275 grandes).

O quadro prolongado de baixa confiança tem implicações práticas: dificulta decisões de investimento e expansão, freia contratação e deixa o setor mais vulnerável a choques externos. Para além do diagnóstico técnico, os números acendem alerta político e econômico: um Icei estagnado abaixo de 50 por tanto tempo pressiona a agenda de governo, exigindo medidas claras para recuperar credibilidade e estimular a atividade produtiva.

A leitura do resultado também deve ser prudente: trata‑se de um retrato do momento, não de uma previsão automática de recessão. Ainda assim, a intensidade e a duração do pessimismo reforçam a necessidade de prioridades voltadas à estabilidade macroeconômica, redução de entraves administrativos e incentivos que reduzam o custo e o risco de investir no país. Sem reação crível, o setor produtivo tende a postergar decisões que poderiam acelerar a recuperação.