A Instituição Fiscal Independente (IFI) entregou um diagnóstico que acende um sinal de alerta sobre a saúde das empresas estatais federais. Com base em séries desde 2018, a análise registra queda consistente em indicadores centrais — patrimônio líquido negativo, fluxo de caixa operacional deficitário e margens em terreno negativo — sinais de que problemas contábeis e operacionais não são pontuais, mas disseminados.

O diretor da IFI, Alexandre Andrade, destacou que, apesar do quadro ser generalizado, as causas variam por companhia e exigem avaliação individualizada. Como caso emblemático, os Correios receberam um empréstimo avalizado pela União de R$ 12 bilhões no ano passado e têm previsão contratual de necessitar de novo aporte entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em 2027. A empresa também registrou redução de cerca de R$ 2 bilhões na receita bruta entre 2022 e 2025, reflexo da queda de 65% a 70% no volume de remessas, enquanto reconheceu entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em precatórios trabalhistas e de planos de saúde, pressão aguda sobre o caixa.

Outro exemplo citado pelo relatório é a Infraero, que vê sua receita diminuir com a transferência de aeroportos à iniciativa privada e precisa rever modelo de negócios diante de mudanças regulatórias. Esses casos ilustram a variedade de choques: perda de mercado, aumento súbito de passivos e adaptação a novas regras. Para a IFI, a heterogeneidade impõe respostas distintas — desde reestruturação operacional até decisões sobre aportes ou soluções de mercado — sempre com avaliação técnica de cada balanço.

Do ponto de vista fiscal, a deterioração eleva o risco para as contas da União: novos repasses ou garantias podem aumentar despesas em um momento de forte restrição orçamentária, complicando o cumprimento de metas e afetando a narrativa de responsabilidade fiscal do governo. Além do custo direto, há impacto reputacional e potencial efeito sobre a confiança dos investidores e a capacidade de gestão pública. A saída exigirá combinações de gestão rígida, transparência sobre cenários e escolhas claras entre apoio público, mudanças estruturais ou alternativas de mercado.