O iFood Pago, braço financeiro do iFood para pequenas e médias empresas, anunciou ter ultrapassado R$ 3 bilhões em crédito concedido no país, com R$ 1,3 bilhão desembolsados entre abril e dezembro de 2025. A empresa relata crescimento de 55% na concessão de crédito ao comparar o primeiro trimestre deste ano com o quarto trimestre de 2025 e projeta novo avanço de 50% a 60% em 2026, com expectativa de mais de R$ 2 bilhões em desembolsos no ano.

A plataforma atribui a expansão ao uso intensivo de dados transacionais do ecossistema de delivery para modelagem de risco: comportamento do cliente, recorrência e potencial de crescimento do estabelecimento entram na avaliação. Segundo a empresa, 63% dos beneficiários do crédito não tinham acesso prévio a financiamentos em outras instituições, o que aponta para ganho real de inclusão financeira de pequenos empreendimentos do setor.

Ao mesmo tempo, o crescimento rápido levanta questões concretas para economia real e regulação: oferta pré-aprovada de cerca de R$ 7 bilhões, conta digital com 166 mil clientes ativos e movimentação mensal de mais de R$ 4 bilhões estreitam o vínculo financeiro entre restaurante e marketplace. Esse alinhamento de incentivos — onde o sucesso do parceiro beneficia também a plataforma — facilita escala, mas aumenta o risco de dependência e concentração do relacionamento financeiro.

Para além do acesso ao crédito, a narrativa exige transparência sobre precificação, prazos e inadimplência. A estratégia do iFood Pago tem potencial para melhorar liquidez de negócios apertados e sazonais, mas também impõe ao setor a necessidade de monitoramento por parte de reguladores e atenção dos próprios empresários para evitar que o suporte financeiro vire armadilha de curto prazo. O sinal, por ora, é de oportunidade com riscos que precisam ser geridos.