O IGP-10, indicador mensal calculado pela FGV, teve alta de 2,94% em abril, após recuo de 0,24% em março. O resultado superou a expectativa da pesquisa Reuters, que apontava avanço de 1,79%, e elevou a variação acumulada em 12 meses para 0,56%.
O principal motor do índice foi o IPA-10, responsável por 60% do IGP-10, que subiu 3,81% depois de cair 0,39% no mês anterior. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a alta está ligada aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que atingiram insumos além dos derivados de petróleo, como ácido sulfúrico (alta de 29%) e adubos ou fertilizantes (6,8%).
No varejo, o IPC-10 avançou 0,88% em abril, ante 0,03% em março, com a gasolina como destaque: alta de 6,38% após recuo de 0,56% no mês anterior. O INCC-10, que mede custos da construção, também subiu 0,88%, refletindo reajustes de combustíveis que encarecem cimento, massa e outros itens com grande uso de transporte.
Do ponto de vista político e econômico, a leitura é um sinal de alerta: pressiona a inflação corrente, reduz o espaço de manobra para políticas contracíclicas e encarece insumos que atingem produção e orçamento das famílias. Trata-se de um choque externo que tem custo real na ponta e pode complicar a narrativa oficial sobre controle de preços e estabilidade fiscal.