O IGP‑M registrou recuo de 0,50% em junho, segundo dados da FGV divulgados nesta segunda-feira (29). O resultado veio um pouco abaixo da expectativa de mercado, que esperava queda de 0,45% em pesquisa da Reuters, e deixa o índice acumulado em 12 meses em 3,16%. O indicador, referência para reajustes contratuais e aluguéis, sinaliza uma desaceleração nos preços no curto prazo.
A retração foi puxada pelo IPA, que responde por 60% do IGP‑M e teve queda de 0,97% em junho, após alta de 0,91% em maio. Para a FGV, a convergência dos preços de commodities energéticas e minerais aos níveis pré‑guerra no Estreito de Ormuz contribuiu para o recuo no atacado. No segmento agrícola, a melhora nas safras reduziu preços de itens como cana‑de‑açúcar e café. O IPC, que pesa 30% no índice, desacelerou para 0,47% em junho, com recuos em gasolina (‑1,29%), etanol (‑5,61%) e café em pó (‑2,57%).
Por outro lado, o INCC — que mede custos de construção — avançou 0,85% no mês, ante 0,77% em maio, mantendo pressão sobre o setor imobiliário e obras públicas. Essa combinação cria um cenário misto: enquanto a queda no atacado tende a aliviar correções ao consumidor, o aumento dos custos de construção preserva uma fonte de inflação setorial que pode reverberar em preços e orçamentos.
Do ponto de vista macroeconômico, o recuo do IGP‑M oferece uma trégua temporária à trajetória de alta de preços e reduz a intensidade dos reajustes indexados, o que é bem‑vindo para famílias e para contratos públicos e privados. Ainda assim, o quadro não elimina vulnerabilidades: a alta do INCC e a exposição a choques externos mantêm incertezas. O indicador reflete preços entre 21 do mês anterior e 20 do mês de referência, e deve ser acompanhado para confirmar se a tendência de queda se sustenta.