A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta sexta (17) que a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP‑M) subiu 2,64% em abril. O número representa aceleração forte na comparação com a mesma leitura de março, que registrou alta de 0,15%. Na primeira prévia do mês, o indicador havia avançado 0,95%.

O resultado foi majoritariamente explicado pelo comportamento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA‑M), que passou de alta de 0,13% em março para 3,41% em abril. Também ocorreram acelerações no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) — de 0,30% para 1,01% — e no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,16% para 0,82%.

O IGP‑M é referência para reajustes de aluguéis e diversos contratos comerciais: uma leitura dessa magnitude tende a se traduzir em aumentos automáticos de custos para famílias e empresas nas próximas rodadas de correção. O salto do IPA‑M aponta pressões vindas da indústria e das cadeias produtivas, com risco de repasse para preços ao consumidor.

Do ponto de vista econômico e político, a aceleração expõe fragilidades na dinâmica de preços e complica a agenda de controle de custos anunciada pelos agentes públicos e privados. Além do impacto imediato no orçamento doméstico, a alta pressiona negociações contratuais e exige respostas de gestão econômica que mostrem capacidade de conter o efeito cascata sobre inflação e poder de compra.