O Índice Geral de Preços‑Mercado (IGP‑M) subiu 2,73% em abril, acelerando em relação aos 0,52% de março e superando a expectativa de 2,53% de uma prévia da Reuters. Com esse resultado, o indicador passou a acumular alta de 0,61% em 12 meses, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O movimento foi generalizado: produtor, consumidor e construção registraram elevações que refletem, em boa parte, o choque recente nos mercados de energia.

No recorte por estágios, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) — responsável por 60% do IGP‑M — disparou 3,49% em abril, depois de subir 0,61% no mês anterior. A FGV identifica influência direta do conflito no Estreito de Ormuz sobre as matérias‑primas brutas, com avanço de quase 6% nesse grupo, e repasses em insumos petroquímicos usados em embalagens, que pressionam custos ao longo das cadeias produtivas.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP‑M, acelerou para 0,94% em abril (ante 0,30% em março). Entre os itens mais sensíveis ao choque está a energia derivada de petróleo: a gasolina subiu, em média, 6,3% no mês e o diesel avançou 14,9%, efeitos que tendem a se refletir tanto no custo de vida quanto nas margens do varejo e do transporte.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir 1,04% em abril, pressionado por reajustes em materiais como massa de concreto, tubos, conexões de PVC e blocos de concreto — repasses atribuídos à elevação dos insumos. A escala e a rapidez desses aumentos escancaram a transferência de choque externo para preços domésticos, com impacto direto em contratos de aluguel e em custos de obras.

O resultado coloca um ônus político e técnico sobre o Banco Central, que tem na pauta a decisão de política monetária desta semana. Com a Selic em 14,75% e expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, a leitura do IGP‑M sugere menor espaço para afrouxamento rápido: a alta de preços ao produtor e os repasses aos consumidores complicam a narrativa que justificaria redução imediata dos juros. Para além do ajuste pontual, o episódio reforça a vulnerabilidade da inflação brasileira a choques externos e a necessidade de monitoramento atento dos efeitos de repasse.