As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), têm potencial para mexer com o fluxo de capital global e provocar reflexos no mercado brasileiro. Os americanos renovaram as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado, e o resultado pode limitar a agenda do presidente nos próximos dois anos.
Para o Brasil, o canal mais direto é o movimento de capitais: saída de recursos pressiona o dólar, eleva os juros futuros e derruba ações; entrada tem efeito oposto. "Para o Brasil, o principal canal é o fluxo de capital, com reflexo no dólar, nos juros e na bolsa", afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Para o Brasil, o principal canal é o fluxo de capital, com reflexo no dólar, nos juros e na bolsa
Analistas consultados pela reportagem apontam que parte da reação já está precificada. Bruna Allemann, da Nomos, explica que um Congresso dividido tende a reduzir a intensidade da resposta imediata dos mercados, enquanto a estrategista da Nomad, Paula Zogbi, ressalta que fatores domésticos têm peso maior. "Seria menos impulso fiscal, menos gastos, o que aliviaria os juros americanos e poderia trazer capital a países emergentes. Poderia valorizar o real e derrubar os juros futuros", diz Zogbi.
Riscos relevantes incluem a contestação do resultado pelo presidente, que elevaria a aversão ao risco e pressionaria moedas emergentes. Ainda assim, especialistas lembram que a trajetória da política monetária americana continua central: o Fed manteve a taxa entre 3,75% e 4% em 28 de outubro, e o mercado já vê chance superior a 70% de alta na reunião de dezembro. "O Fed pesa mais que a eleição", afirma Allemann.