A declaração do Imposto de Renda ainda é fonte de dor de cabeça para muitos contribuintes. Segundo levantamento do Santander e dados da Receita Federal, falhas simples — sobretudo erros de digitação e inconsistências patrimoniais — respondem por parcela significativa das retenções: mais de 40% das declarações retidas apresentam indícios desse tipo de irregularidade.
Erros de preenchimento são surpreendentemente comuns. Um número digitado errado pode alterar completamente os valores informados; o exemplo frequentemente citado é um bem declarado por R$ 100 mil que, por erro, aparece como R$ 1 milhão no sistema, acionando checagens automáticas. Também há omissões recorrentes: quem informa apenas o salário principal e deixa de declarar trabalhos freelancers, consultorias ou aluguéis cria incompatibilidade entre renda e evolução patrimonial. A Receita cruza informações entre locador e inquilino, o que expõe divergências.
Investimentos e previdência privada têm armadilhas específicas. O PGBL deve ser informado na ficha 'Pagamentos Efetuados', enquanto o VGBL vai em 'Bens e Direitos' — a troca entre fichas é apontada pela Receita como erro frequente. No caso de ações, o correto é declarar o custo de aquisição (o preço pago), e não o valor de mercado no fim do ano. Ganhos obtidos com a venda de imóveis ou veículos também exigem declaração do ganho de capital.
Quem identificar equívocos pode enviar declaração retificadora, informando o número do recibo da original e usando o programa correspondente ao ano. Até o fim do prazo de entrega é possível alterar inclusive o modelo de tributação; depois, a retificação segue permitida por até cinco anos — exceto quando a declaração estiver sob procedimento fiscal: a partir da intimação oficial não é mais possível corrigir. Revisar dados antes do envio reduz retrabalho e o risco de cair na malha fina.