A ideia do imposto progressivo que conhecemos hoje nasceu na Inglaterra, em 1799, quando William Pitt instituiu tributos para financiar a guerra contra Napoleão. No Brasil, o Imposto de Renda foi criado oficialmente em 31 de dezembro de 1922 e, ao longo do tempo, incorporou práticas e símbolos que marcaram sua relação com a população.
Apesar de existir desde o início do século 20, foi só em 1979 que o IR passou a liderar a arrecadação federal. O Fisco oficializou o leão como mascote em 1980 —símbolo que ajudou campanhas públicas e originou termos como “carnê-leão”. A modernização começou a acelerar nos anos 1990, com o envio de declarações em disquete, primeiro passo rumo à digitalização.
A digitalização reduziu erros de processamento e facilitou cruzamentos de dados, mas não mudou a natureza do tributo: segundo a Receita, o IR compõe as receitas orçamentárias sem destinação específica. Em 2025, a arrecadação federal superou R$ 2,88 trilhões, com grande participação do IR, o que revela uma forte dependência do orçamento sobre esse imposto.
Essa concentração torna o governo sensível a oscilações da economia e eleva o custo político de mudanças tributárias. Para o cidadão, a transição tecnológica trouxe mais comodidade, ainda que a malha fina e a complexidade do preenchimento continuem a gerar dúvidas. Com mais de 8 milhões de declarações já prestadas em 2026, o prazo final para entregar a declaração segue até 29 de maio.