O (IN) Motion 2026, promovido pela Scanntech nesta quarta-feira no Distrito Anhembi, entra na agenda do setor como um inventário prático das oportunidades e dos custos da adoção em escala de tecnologias como inteligência artificial. A organização estima presença de cerca de 300 representantes do varejo, 400 indústrias e 4 mil participantes — público que mostra a urgência do tema para cadeias que buscam eficiência e diferenciação.

A grade reúne nomes globais e locais, entre eles Adam Cheyer (co-criador da Siri), David Simchi-Levi (MIT), executivos do Google Brasil e líderes de grandes empresas de consumo. A presença de vozes técnicas e comerciais reforça a mensagem central do encontro: há ferramentas capazes de transformar atendimento, logística e marketing, mas a mudança exige investimentos, integração de sistemas e preparo operacional — pontos ressaltados pelos organizadores da Scanntech.

Além das palestras, o encontro traz o Prêmio In Nova, que seleciona lançamentos considerados mais inovadores segundo percepções de mercado e comportamento de compra extraído do banco de dados da Scanntech, que processa mais de 15 bilhões de cupons fiscais por mês. Serão premiadas seis categorias, agora com a novidade do Voto Popular, cuja votação foi encerrada em 15 de julho.

O balanço econômico é duplo: por um lado, a tecnologia pode elevar produtividade, reduzir custos e criar novos serviços; por outro, impõe pressões de investimento que nem todo varejista pode suportar, tende a acelerar concentração em empresas com maior capacidade financeira e levanta questões sobre empregos e governança de dados. Para além do entusiasmo dos painéis, o setor precisa traduzir discursos em projetos com retorno mensurável e em regras claras para uso de informações do consumidor — caso contrário, a adoção pode ampliar desigualdades concorrenciais e gerar custo político para cadeias dependentes de subsídios ou de soluções importadas.