A inflação ao consumidor na Índia acelerou para 4,38% em junho, ante 3,93% em maio, segundo dados do governo — a leitura mais elevada desde a reformulação da série em janeiro. O resultado superou a mediana de 4,2% esperada por economistas consultados pelo Wall Street Journal, evidenciando uma pressão inflacionária mais persistente no curto prazo.
O movimento foi impulsionado pela alta dos preços dos alimentos, cuja inflação subiu para 5,32% em junho (4,78% em maio), e por um efeito retardado da elevação dos combustíveis. Interrupções no fornecimento relacionadas ao clima também pesaram: a Moody's Analytics classificou junho como o quinto mês mais seco desde 1901, e a área plantada com safras de verão até junho caiu quase 23% em relação a 2025, com o arroz recuando cerca de 25%, dados citados pelo governo.
O combo de seca, aumento do custo de energia e sensibilidade aos preços do petróleo tem implicações claras para a política monetária e externa. Apesar de o Reserve Bank of India (RBI) ter mantido as taxas estáveis na reunião de junho, os números recentes acendem alerta para um aperto futuro: há argumento técnico para a elevação de juros, ao mesmo tempo em que a rupia permanece sob pressão diante de riscos de saída de capitais e de uma conta de importação crescente.
Os dados de comércio exterior corroboram o cenário mais tenso: o déficit comercial subiu para US$ 30,43 bilhões em junho, ante US$ 28,21 bilhões em maio e US$ 19,10 bilhões no ano anterior, com importações em US$ 70,84 bilhões e exportações em US$ 40,41 bilhões. Para além do impacto imediato na inflação, a combinação de seca, maior fatura de importação e volatilidade cambial complica a estratégia de atração de investimentos e aumenta a necessidade de ajuste de política — um desafio que o Banco Central e o governo não poderão ignorar.