O Brasil caiu para a 69ª posição no ranking industrial que reúne 90 países, segundo compilação do IEDI com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). É o segundo ano consecutivo de perda de espaço no indicador, que coloca o país no terço das economias com pior desempenho industrial — um sinal evidente de perda de competitividade num setor tradicionalmente estratégico.

Em entrevista ao CNN Money, o professor de Economia da FGV Joelson Sampaio atribuiu o resultado a dois vetores principais. No plano conjuntural, destaca a manutenção da taxa de juros em patamares elevados por período prolongado, o que encarece o custo de capital e freia investimentos em inovação e modernização das plantas industriais. No plano estrutural, Sampaio aponta baixo nível de incorporação tecnológica, produtividade estagnada e custos logísticos que ampliam o chamado 'custo Brasil'.

O professor também chamou atenção para indicadores de formação de capital: a taxa de investimento brasileira gira em torno de 16% do PIB, enquanto a formação bruta de capital fixo — que mede gasto em máquinas, equipamentos e infraestrutura — foi reportada como inferior a 2% na compilação citada. Para Sampaio, essa combinação limita a capacidade de avanço do parque industrial e deixa o país atrás de concorrentes que seguem investindo em modernização.

Há uma exceção conjuntural: setores ligados a commodities tiveram desempenho melhor, beneficiados por câmbio e demanda externa, sobretudo da China. Ainda assim, o professor alerta que ganhos atrelados a preços internacionais não substituem uma recuperação ampla. O recuo no ranking acende um alerta para formuladores de política pública e para o governo: sem medidas que estimulem investimentos, reduzam custos logísticos e ampliem a adoção de tecnologia e qualificação, o país corre o risco de um sucateamento produtivo que terá custo econômico e político significativo.