Representantes do setor industrial reagiram com críticas à aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que reduz a jornada de trabalho e modifica a escala 6x1. Entidades afirmam que o avanço ocorreu em ritmo acelerado e sem o debate técnico adequado, o que, na visão do setor, amplia riscos para a economia e para os contratos vigentes.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a iniciativa inoportuna e pediu avaliação dos efeitos sobre trabalhadores, empresas e consumidores. Para a entidade, mudanças desse porte exigem diálogo tripartite e estudos sobre impactos em emprego e produtividade; como alternativa, defende-se que eventuais ajustes sejam negociados por meio da negociação coletiva.
A Fiesp classificou a tramitação como açodada e disse temer perda de segurança jurídica diante de alterações prospectivas em contratos já firmados, ao mesmo tempo em que anunciou apoio a proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho. A Fiep, do Paraná, chamou a aprovação na comissão de "irresponsável" e apontou que prazos curtíssimos para adaptação — de apenas um ano — são insuficientes.
Além do efeito direto nos custos operacionais, as federações destacam que setores com operação contínua e intensivos em mão de obra podem sofrer queda de competitividade e pressões sobre emprego se não houver ganho de produtividade ou medidas compensatórias. O episódio acende um sinal de alerta sobre a capacidade de o Legislativo promover mudanças trabalhistas relevantes sem amparo técnico, com potencial custo econômico e político no curto prazo.