A indústria brasileira de fundos teve captação líquida de R$ 10,3 bilhões em maio, segundo dados divulgados pela Anbima. No acumulado do ano, as entradas somam R$ 188,2 bilhões, enquanto o patrimônio líquido da indústria gira em torno de R$ 11 trilhões — números que mostram resiliência, mas também deslocamentos claros nas preferências dos investidores.

O resultado do mês foi puxado pela renda fixa, com entradas líquidas de R$ 10,4 bilhões. Destaque para os fundos de baixa duração soberana, que aplicam majoritariamente em títulos públicos e captaram R$ 22,9 bilhões. Os fundos de índice (ETFs) foram a segunda classe com mais entradas, somando R$ 3,5 bilhões em maio e R$ 25,8 bilhões no ano, superando amplamente o ritmo do ano passado. Entre as estratégias especializadas, FIDCs, FIPs e Fiagros também registraram captação positiva — respectivamente R$ 2,5 bilhões, R$ 2,2 bilhões e R$ 97,8 milhões em maio.

No extremo oposto ficaram os multimercados, que lideraram os resgates do mês com saída líquida de R$ 6,4 bilhões — o quarto mês consecutivo negativo para a classe — embora ainda acumulem R$ 1,4 bilhão no ano. Fundos de duração livre de crédito foram responsáveis por R$ 6 bilhões em resgates em maio, uma desaceleração frente aos R$ 12,7 bilhões retirados no mês anterior. Fundos de ações e de previdência também registraram saídas: ações perderam R$ 149 milhões em maio (R$ 5,6 bilhões no ano) e previdência teve resgates de R$ 2 bilhões em maio, acumulando R$ 4,7 bilhões negativos em 2026.

O quadro sugere um rebalanço: investidores privilegiando liquidez e segurança em títulos públicos e ETFs, enquanto estratégias mais expostas a crédito privado e renda variável enfrentam retirada de recursos. Para gestores, a sequência de saídas em multimercados e em fundos de crédito acende um sinal de alerta — há pressão sobre avaliação de risco, gestão de liquidez e sobre o custo do crédito privado. A dinâmica também traz desafios para quem busca retorno acima da renda fixa, obrigando mudança de estratégia ou oferta de produtos que reconquistem confiança.