Seis grupos que representam grandes montadoras, fornecedores e rede de concessionárias dos EUA pediram ao presidente Donald Trump que mantenha políticas para impedir que montadoras chinesas vendam, importem ou fabriquem veículos no país. O apelo, enviado na sexta-feira (18), chega na véspera do encontro de Trump com o presidente chinês Xi Jinping e expõe uma pressão da indústria para preservar o mercado doméstico.
As entidades — que dizem representar empresas como General Motors, Toyota, Volkswagen, Ford, Hyundai, Stellantis e Tesla — argumentam que investimento chinês não geraria empregos líquidos nos EUA e acabaria por deslocar postos de trabalho de fabricantes que já investem localmente para empresas com forte vínculo ao Estado chinês. A carta pede manutenção de regras que protejam o ecossistema automotivo norte-americano.
O pano de fundo regulatório já é restritivo: uma norma do governo do ex-presidente Joe Biden, com vigor a partir do início de 2025, proibiu na prática montadoras chinesas de comercializar ou fabricar veículos de passeio nos EUA por riscos ligados ao envio de dados sensíveis. Washington também aplica tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses, e o Congresso estuda endurecer a proibição.
Politicamente, o episódio complica a narrativa oficial: comentários recentes de Trump, indicando que não teria problema com fábricas chinesas nos EUA, colidem com a pressão dos grupos domésticos e aumentam o custo político de qualquer abertura. A disputa envolve argumentos de segurança, emprego e competição industrial — e pode empurrar a Casa Branca para uma decisão que equilibre interesse geopolítico, receio público e a defesa da indústria local. A Casa Branca e a embaixada chinesa não se pronunciaram de imediato.