O IPCA de abril registrou alta de 0,67%, desacelerando frente a março (0,88%), segundo dados divulgados pelo IBGE. No acumulado do primeiro quadrimestre a alta é de 2,60% e chega a 4,39% em 12 meses — um recorte que mostra desalinho entre a desaceleração mensal e a persistência da inflação no prazo mais longo.
Os principais vetores do mês foram alimentos e bebidas (alta de 1,34%) e saúde e cuidados pessoais (1,16%), que, juntos, responderam por 67% do índice. A alimentação no domicílio subiu 1,64%: cenoura (+26,63%), leite longa vida (+13,66%), cebola (+11,76%), tomate (+6,13%) e carnes (+1,59%) estiveram entre os destaques. Em saúde, os produtos farmacêuticos avançaram 1,77% após autorização de reajuste dos medicamentos a partir de 1º de abril. Nos combustíveis, a gasolina desacelerou para 1,86% (era 4,59% em março); ainda assim, óleo diesel subiu 4,46% e o grupo Transportes cresceu 0,06%.
O Banco Central havia cortado a Selic em 0,25 ponto ao final de abril, para 14,50% ao ano, mas o boletim do mês tende a reforçar a necessidade de cautela: a leitura dos números confirma que uma aceleração no ritmo de cortes é improvável, diante da resiliência de serviços e da pressão em itens de maior impacto no bolso das famílias. A incerteza sobre efeitos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis também permanece como variável a ser monitorada pelo Copom.
Na prática, o resultado acende alerta para a estratégia de normalização monetária: a desaceleração mensal não elimina o efeito sobre rendimento real das famílias, já afetado por alta em bens essenciais. Para o mercado e para a política econômica, o quadro amplia a probabilidade de um ciclo de cortes mais curto e gradual — com implicações diretas no custo de crédito, nas contas públicas e na percepção do eleitor sobre a recuperação da economia.