A prévia do IPCA-15 de maio coloca a inflação de volta no radar: projeções da Lifetime Gestora e do Daycoval indicam alta de 0,53% no mês, abaixo dos 0,89% do IPCA-15 anterior e dos 0,67% do IPCA cheio de abril, mas ainda insuficiente para dissipar riscos.

Economistas ouvidos apontam que parte do avanço em combustíveis e alimentos já ficou concentrada em abril, mas há repasses residuais. Marcela Kawauti, da Lifetime, lembra que choques externos — da guerra e do risco de El Niño sobre safras — seguem pressionando preços voláteis e podem alimentar novos ajustes.

O ponto de atenção, porém, são os núcleos de inflação: ao excluir itens mais voláteis, eles mostram a tendência de médio prazo. Leonardo Costa, do ASA, destaca que os núcleos e, em especial, os serviços subjacentes devem permanecer em patamar elevado, trazendo pouco alívio imediato e sinalizando contaminação para o índice cheio.

No terreno político e econômico isso tem efeitos concretos: núcleos e serviços persistentes limitam a margem do Banco Central para reduzir juros e complicam a narrativa de normalização. Para famílias e empresas, a manutenção de preços de serviços significa pressão contínua no orçamento e no custo do crédito, exigindo resposta coordenada de política econômica.