Influenciadores criados por inteligência artificial se espalharam pelas redes e viraram negócio: personagens como Jean Phil (Jean Philanthrope) alcançaram dezenas de milhões de visualizações, enquanto no Brasil exemplos como Marisa Maiô chegaram a estrelar campanhas em 2025. O fenômeno transforma rostos gerados em produto com público e potencial de receita.
A fabricação desses perfis combina geração de imagens com edição de vídeo. Criadores produzem imagens de referência que definem aparência e usam modelos para substituir visualmente a pessoa em cenas gravadas, preservando movimentos e parte do cenário. O autor de Jean Phil reconheceu que a IA foi elemento central da produção, mas afirmou que os vídeos não são inteiramente artificiais.
Ferramentas experimentais já conseguem empregar uma única gravação real e substituir apenas o personagem, o que explica por que alguns conteúdos parecem mais naturais do que vídeos totalmente gerados. Ao mesmo tempo, mudanças de ângulo, objetos em primeiro plano ou iluminação podem deixar artefatos que denunciam edição — mas avanços rápidos reduzem esses sinais.
Do ponto de vista econômico, perfis de IA podem monetizar por publicações patrocinadas e campanhas, atraindo anunciantes que buscam escala e controle criativo. Esse movimento também cria dilemas: marcas precisam avaliar risco de reputação e transparência; plataformas e consumidores encaram maior dificuldade para verificar autenticidade e distinguir influência humana de cena fabricada.
O avanço técnico promete ampliar oferta de personagens digitais e baratear produção, ao mesmo tempo em que pressiona agências e anunciantes a revisar práticas de verificação. O mercado publicitário terá de equilibrar oportunidades de alcance com exigência de clareza sobre o uso de IA nas campanhas.