A pesquisadora sênior do Cebri, Rafaela Guedes, reforça um problema estrutural para a economia brasileira: sem investimento consistente em tecnologia e na formação de profissionais, o país terá dificuldade em transformar reservas de minerais críticos em produtos de maior valor agregado. Guedes apontou o CETEM, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, como exemplo das carências institucionais que limitam o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e a atração de novos engenheiros.
O diagnóstico traz implicações concretas para a estratégia de crescimento. Se a cadeia permanecer focada na extração primária, o Brasil renuncia a ganhos industriais, emprego qualificado e receitas adicionais de transformação. A pesquisadora chamou atenção, ainda, para a perda de profissionais: convites para atuar na China, no Oriente Médio e nos Estados Unidos tornam mais difícil reter talentos essenciais à consolidação de parques tecnológicos locais — um fator que acende alerta sobre competitividade e autonomia tecnológica.
Parte do problema é anterior ao ensino superior: há resistência precoce às disciplinas de ciências e matemática, e a sub-representação feminina nas carreiras STEM amplia o déficit de mão de obra especializada. Na ausência de políticas públicas que articulem educação básica, capacitação técnica e incentivos à pesquisa aplicada, o País corre o risco de depender de tecnologia externa e de importar complexidade produtiva em vez de exportar valor.
O Plano Nacional de Terras Raras, cujo estudo de apoio foi liderado pelo Cebri e deve ser tornado público em breve, surge como oportunidade para alinhar ações. Mas a execução exigirá reforço orçamentário, estímulos à formação e medidas para segurar profissionais no país. Sem essa articulação, a promessa de industrializar a cadeia mineral pode se tornar mais um instrumento de retórica do que de política pública, com custo econômico relevante e impacto sobre a soberania tecnológica.